" Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou
inquieta, ciumenta, áspera, desperançosa.
Embora amor dentro de mim eu
tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas."
(Clarice Lispector)
Muitas vezes nos deparamos com situações em que passamos uma imagem contraria da qual realmente somos, pensamos ou sentimos. Desabafar agonias, apatias, alegrias e outros sentimentos pode ser muito difícil se escolhermos as pessoas erradas para nos ouvir, tanto quanto se escolhermos tranca-las dentro de nos. O melhor que se tem a fazer é permitir que os sentimentos estravassem ou pelos olhos, pela boca ou pelas mãos. Farpas, cortes, sangue, dor, medo e brasas também fazem parte do amor, e sempre haverão pessoas que irão se encantar com todas essas fagulhas e inquietudes.
A muitos que acreditam na teoria de que só se odeia alguém que se ama, ou seja, quando se encontra no objeto odiado muito daquilo que se deseja ou se gostaria de ser ou ter. Seguindo essa linha o "invejado", não é odiado e sim muito amado, por tudo aquilo que se tem.
Da mesma forma é o amor: ele se preocupa, se isola, se tortura, se exalta, se inflama. Somente o descaso e desprezo identificam um desamor.
Não existe sentimento que de vez em quando não solte algumas faiscas. Ame sem medo, desapegue-se dos pormenores, esqueça a ausência de pingos nos is, e as pessoas que querem te ensinar o que é o amor. Amor não é gramática, matemática e muito menos uma ciência. Cada um ama a sua maneira, a melhor que se tem .
E não esqueça que ate mesmo farpas são capazes de incomodar.